vim aqui para falar sobre a inportançia que um psicolo faz na via de uma pessoa que faz cirurgia bariatrica achei muito interresante!
Sem sombra de dúvida, qualquer psicólogo que já tenha atuado no campo
das cirurgias, e em especial, na cirurgia bariátrica, concordará em
aceitar, que nosso paciente não é um “cliente” para psicoterapia, e não
vem com demanda para análise, como nossos colegas psicanalistas diriam.
De modo inverso, chega como quem vem retirar um mal, ou como quem quer
reformar uma roupa que não lhe cai bem. Quer dali sair sem aquele
defeito, ou mazela, sem maiores questões ou reflexões sobre causas ou
efeitos das reformas realizadas.
Esse modelo tão particular de indivíduo exigiu do psicólogo
bariátrico, se é que assim podemos chamar essa nova categoria que vem
surgindo, um tipo de trabalho bem específico, que inclui o estudo da
fisiologia, da psicopatologia, da genética, dos modelos relacionais de
casal e familiares e também do trabalho em equipes multidisciplinares.
Ao receber o paciente deparamo-nos com indivíduos derrotados por
múltiplas tentativas de dietas que faliram, dada à força de sua
genética. A obesidade, a compulsão a comer, a depressão, a doença
bipolar e toda a fisiologia que subjaz à morbidez de seu estado, bem
como aos maus resultados de suas tentativas vãs de solucionar seu
problema, tem de ser consideradas e estudadas pelo profissional da
Psicologia.
Esse cabedal teórico acima relacionado dará ao psicólogo condições de
exercer seu primeiro papel fundamental: o acolhimento. Tomando desse
primeiro instrumento ele partirá para sua estratégia básica de trabalho
que é a anamnese, palavra advinda do grego, que significa recordação. É
através da recordação, da repetição da própria história, que nosso
paciente perceberá os lapsos e tropeços que realizou, não apenas em suas
dietas, mas em sua própria vida. O profissional irá, com esse processo
de acolhida, permitir a catarse, pois ali, na sala do psicólogo, não há
julgamento moral, censura social ou aconselhamento do tipo fraterno, que
implica em expectativas. O que se requer do paciente é um compromisso
consigo próprio, com sua saúde, com sua história e com o sucesso de sua
própria saúde, bem como com o resultado cirúrgico.
Esbarramos na questão do tempo, pois nosso paciente vive em estado
acelerado, como se não suportasse ser obeso mais nem um dia, mesmo tendo
sido “a vida toda” de acordo com seu relato. E também nossos serviços
são acelerados, porque vivemos em mundos competitivos e hipertímicos.
Aqui o psicólogo se defronta com os diferentes ritmos de práticas de
cada profissional, do fisioterapeuta ao nutricionista, do clínico ao
anestesista, cada um com seu tempo de atuação.
Assim, quando se fala em preparar o paciente para a cirurgia
bariátrica, pode-se usar a metáfora da gestação e do parto, pois nenhum
parto e nenhuma gestação é referência para outro, e não há preparo para
parir. A experiência se constitui como única. O que cabe ao profissional
da Psicologia é levantar dados durante a anamnese, resgatar um bom
histórico familiar genético e emocional, de doenças psiquiátricas e
vivências traumáticas; verificar na vida do próprio indivíduo a presença
de doenças do campo afetivo, averiguar tendências genéticas para
transtornos do humor e trabalhar dentro de uma linha informativa e
preventiva. Devemos alertar nosso paciente e a equipe sobre a condição
em que se encontra o dono do Sistema Digestório e recordar que há um
outro sistema complexo ligado a ele, o tal do Sistema Nervoso.
Quando possível, trabalhar junto a familiares conscientizando de que a
cirurgia bariátrica não irá reprogramar a genética do operado, mas no
máximo tentar enganá-la, produzindo um magro artificialmente, e que isso
terá um custo. Mais que isso, alertar que a vida não perdoa quem é
inadimplente com ela. Falhas nutricionais repercutirão em problemas
neurológicos e irão mimetizar quadros psiquiátricos sérios. Um cérebro
mal nutrido jamais funcionará bem, e por isso não produzirá um indivíduo
feliz.
O Psicólogo tem, portanto, na função bariátrica, um papel recheado de
atribuições. Ele informa, ouve, espelha, deixa acontecer, acolhe,
comemora e acima de tudo sofre com seu paciente, para que ele encontre
sua própria saúde.
Fonte Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabolica
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